ODIN E OS CORVOS
Odin e os Corvos - 2024
Óleo sobre painel - 90X61cm
Pintura de Mário Galiano
Na mitologia nórdica, Odin é o deus do conhecimento, da poesia, da guerra e da magia. Sua figura é inseparável dos corvos Huginn e Muninn — Pensamento e Memória — que o acompanham diariamente e voam ao redor do mundo, trazendo notícias do que veem. Em vez de mostrá-los em pleno voo, Galiano opta por um momento mais íntimo: os corvos empoleirados, ouvindo e conversando, como se tivessem acabado de retornar de mais uma jornada.
O pala que cobre o olho direito de Odin é um símbolo claro do preço da sabedoria: na lenda, o deus sacrifica um de seus olhos para beber da fonte de Mímir — a fonte do conhecimento absoluto. Essa ausência torna-se visível, material, e carrega a força de uma escolha que transcende o físico. Odin surge não como um herói, mas como um guardião do pensamento e da dúvida, alguém que vê menos, mas compreende mais.
Galiano apresenta-nos um retrato de sabedoria silenciosa e vigilância interior. O olhar do deus — reforçado pelos olhos dos corvos — parece contemplar o mundo e, ao mesmo tempo, o tempo. Há uma serenidade sombria nesta cena: uma quietude que não é paz, mas consciência.
A relação entre o homem e os pássaros sugere mais do que cumplicidade: eles são extensões de sua mente, partes vivas de seu espírito. E assim como Huginn e Muninn voam para observar o mundo, nós também somos levados a refletir — sobre o que sabemos, o que esquecemos e o que estamos dispostos a dar em troca da verdade.
