Hipnos surge envolto pela noite, entregue a um sono profundo e sem resistência. O corpo inclina-se para a escuridão, como se o abandono fosse inevitável. Não há gesto de defesa. Apenas entrega.
As asas, quase dissolvidas no fundo sombrio, não anunciam voo. Envolvem. Protegem e aprisionam ao mesmo tempo. O sono não eleva. Suspende.
O rosto permanece fechado ao mundo. Os olhos cerrados afastam qualquer possibilidade de confronto ou consciência. Neste estado, a figura deixa de vigiar, deixa de controlar. Dormir é aceitar a perda temporária de domínio.
Óleo sobre tela 80x60cm 2025
O céu move-se atrás da figura. As nuvens densas sugerem inquietação, enquanto a lua observa à distância, fria e contida. A noite não é silêncio absoluto. É movimento lento, contínuo.
A luz toca apenas o essencial. Revela o rosto, insinua o corpo e devolve tudo o resto à sombra. O sono surge como passagem, não como repouso. Um intervalo frágil entre presença e ausência.
Hipnos não representa apenas o deus do sono. Representa o momento em que o corpo cede, a consciência se apaga e o humano se torna vulnerável. Dormir é confiar na escuridão.
Preço: sob consulta (obra disponível; contactar para aquisição — despesas de envio não incluídas).

