REGRESSO À FOTOGRAFIA ANALÓGICA

As novas tecnologias são uma grande vantagem para os fotógrafos profissionais pois permite acelerar e controlar o processo de fotografar e de entregar as imagens. O digital tornou acessível a todos a capacidade de obter imagens e o padrão da qualidade das fotografias passou a ser o monitor dos nossos ecrãs de todos os gadgets que nos rodeiam. Nasci como fotógrafo na era da fotografia analógica e, sem saber, percorri uma época de ouro da película e assisti ao declínio do analógico perante o surgir da fotografia digital. Como todos os profissionais na época, aderimos de braços abertos ao digital e este passou a ser o padrão da fotografia mundial. Assistimos a grandes marcas serem esquecidas pela velocidade das novidades dos censores, dos full frame, das aplicações milagrosas de edição e das câmaras com megapixel para dar e vender, que ficariam obsoletas num período de seis meses após o seu lançamento devido ao aparecimento de outra câmara com a promessa de ser o ultimo grito da tecnologia. Nunca se fotografou tanto como nos nossos dias e milhares de imagens ficam retidas no esquecimento em discos de computares, discos externos ou clouds para serem vistas nos monitores, talvez um dia… (se os discos não avariarem…)

O digital é uma mais valia para a fotografia?

Com certeza que sim, como referi anteriormente, a rapidez, definição e visualizar logo o resultado final é a exigência do nosso mundo cada vez mais rápido e que não tem tempo para fruir e desfrutar das imagens. Provavelmente a fotografia num futuro muito próximo ficará confinada aos aparelhos que fazem chamadas ligados à internet. Profissionalmente continuarei a fotografar com câmaras digitais e para projectos pessoais irei revisitar a magia da fotografia analógica.

A fotografia analógica obriga a uma exatidão e disciplina incomparável ao digital. Fotografar com filme tem limitações que são inexistentes no mundo digital e como tal não é permissível ao erro. Enquanto fotógrafo busco essa disciplina e simplicidade na arte de fotografar. Filme, fotómetro, uma câmara totalmente manual e revelar os filmes representam um desafio nos dias de hoje. Além desta disciplina em fotografar procura a estética inigualável que só o filme produz, o grão da película, o contraste e a não perfeição. No mundo digital tudo é perfeito e demasiado certo, o filme é imperfeito e é aí que reside a sua magia, é o que lhe dá carácter e o torna orgânico.

Irei partilhar convosco na .NOISE, além da fotografia digital, fotografias que realizarei com câmaras com que já fotografei, filmes que sempre usei e de novos existentes no mercado.

Aqui ficam algumas fotografias do teste que efectuei à Rolleiflex 3,5T. O filme usado foi o Rollei RPX 400.

Mário Galiano

Mário Galiano studied at the school of arts Antonio Arroio and began his career as a freelance photographer in 1990.

Specialized in the art of portrait collaborates with various publications and media agencies.

In 2024, revisited his passion for fine arts and began painting in oils again.

https://www.mariogaliano.com
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