Bellona emerge da sombra num instante de suspensão. O corpo surge antes da ação, num tempo indefinido em que não sabemos se a batalha vai começar ou se acabou de terminar. A pose não anuncia avanço nem retirada. Permanece em tensão.
O fundo do quadro arde. As chamas não dominam a cena, mas insinuam um território em conflito. Podem ser sinal de uma batalha em curso ou dos seus restos ainda quentes. O fogo não é espetáculo. É memória recente da violência.
O elmo dourado oculta os olhos e impede qualquer leitura direta da emoção. Onde se espera um olhar, encontra-se opacidade. Esta ausência pode sugerir fúria, desumanização ou entrega total à carnificina. Bellona não pede empatia. Impõe distância.
Óleo sobre painel 90x61cm 2026
A armadura protege parte do corpo, mas deixa o peito exposto. A vulnerabilidade convive com o poder. A proteção do ombro ostenta um leão. Símbolo de poder e força, afirma domínio e autoridade. Mas esse emblema convive com a exposição do corpo. A deusa da guerra é também carne, atravessada pelo risco e pela possibilidade de ser ferida.
Em contraluz, quase dissolvidos na sombra, insinuam-se corpos armados. Soldados erguem estandartes num plano distante, como uma presença coletiva que reforça o isolamento da figura central. Bellona está rodeada, mas permanece só.
A luz aproxima-se com contenção. Não ilumina o conflito, preserva-o. A figura mantém-se suspensa entre decisão e consequência. O mito torna-se linguagem para pensar o presente, onde a violência nem sempre é visível, mas nunca deixa de estar latente.
Preço: sob consulta (obra disponível; contactar para aquisição — despesas de envio não incluídas).

