Simulador de filme ACROS

A fotografia a preto e branco é sem dúvida a mais apreciada e a mais difícil de se obter. Uma boa fotografia a preto e branco tem de ser bem exposta para obtermos o contraste desejado. Sempre fotografei e revelei os meus próprios filmes e ao imprimir fui aprendendo com os erros que naturalmente se cometem quando se começa a fotografar. Tentativa e erro sempre fez parte do processo de aprendizagem da arte da fotografia.

Usei praticamente todas as marcas de fabricantes de filmes assim como as suas diferentes sensibilidades e quando a industria fez a transição para a fotografia digital, perderam-se as características muito próprias dos filmes. Ganhámos megapixels, ISO absurdos e definição em HDR que dá vontade de não ver. Em simultâneo assistimos a aplicações do mundo digital que imitam looks de filmes, alguns já extintos, terem muito sucesso num mundo de excessos visuais. Felizmente para nós existe uma marca que sempre se dedicou ao filme, e que fez tudo para transportar para o mundo digital esse conhecimento de manufaturação adquirido através de décadas – a Fujifilm.

Vou falar da simulação de filme Acros que foi introduzida com os modelos X-Pro2 e X-T2. Fotografei várias vezes com o filme Acros (analógico) e as suas principais características derivam do contraste acentuado, não permitindo erros na exposição, e ao elevado detalhe de imagem impresso no negativo.

Para ilustrar este artigo fotografei ao sabor do vento com a X-T2 na vila histórica de Belmonte. O dia estava solarengo e com nuvens, o ideal para fotografia de exteriores. Caminhando descontraídamente por entre as ruas de Belmonte, fui sempre observando as situações de contraluz às quais conseguisse enquadrar com a objectiva de 23mm f:1.4 (equivalente à 35mm).

Procurei fotografar em condições de grande contraste e abraçar deliberadamente as sombras para perceber a a latitude desta simulação de filme. Mesmo usando vários filtros fornecidos pelo simulador Acros, amarelo e vermelho, obtive imagens com elevada gama de cinzentos e com sombras acentuadas. O detalhe é superior ao esperado devido ao censor X-Trans CMOS III aliado às ópticas de uma objectiva Prime XF. Outra das combinações que uso com frequência é fotografar em modo Acros com na X-T2 e na X-E2 com objectivas Leica, R e M, com adaptadores dedicados para o sistema Fujifilm X.

Esta simulação do Acros em relação ao filme analógico oferece uma maior gama de cinzentos permitindo assim maior latitude na exposição. Fotografar com o sistema X da Fujifilm tem a vantagem do visor electrónico que nos permite visualizar logo a preto e branco e, para obter as imagens logo a preto e branco temos de fotografar no formato JPG pois no modo RAW temos a imagem a zeros, sem qualquer simulador de filme. O modo Acros é sem dúvida um dos melhores simuladores de filme a preto e branco no mundo da fotografia digital.