Posted by mariogaliano on November 30, 2017

OBRIGADO ZÉ PEDRO

O Zé Pedro deixou-nos e além da sua música, para mim, vai ficar para sempre a sessão fotográfica que fizemos para o The Man Issue. Ainda não conhecia pessoalmente o Zé, mas amigos em comum deram-me o seu contacto e após uma grande dose de coragem liguei para ele e, passado uns dias, estávamos a tomar café e a explicar-lhe o conceito do projecto. Gostaria que interpretasse uma figura de cinema com a qual se identificasse e propus logo o universo dos piratas. Olhou para mim e respondeu logo que sim com o ar de um miúdo que é apanhado numa travessura.

O Zé apareceu no meu estúdio numa segunda feira por volta 19h, após ter estado com os Xutos e Pontapés a gravar para o novo álbum de inéditos. O guarda roupa estava no camarim e decidi-mos que para a imagem pretendida estaria vestido metade “Master and Comander” e metade Xutos e Pontapés. Iniciamos a sessão e o seu carácter, a sua imagem icónica de rock star e irreverência ficaram logo marcadas em cada fotograma. Tenho a sorte de fotografar pessoas e nas sessões fotográficas sei precisamente o momento em que consigo a imagem pretendida e com o Zé foi no final da sessão quando, numa atitude magnifica de perdedor e longínquo, consegue a imagem que viria a ser a capa do meu livro.

-“Lembrei-me do meu Pai que era militar…”, respondeu com um rosto nostálgico.

Após ter fotografado todos os convidados para o projecto estava perante o processo mais difícil e ingrato, a escolha da capa. As imagens de todos lado a lado e a fotografia do Zé ganhava uma vida própria, lembrei-me da sua timidez, humildade e entrega, algo próprio de quem partilha o mundo e a escolha surgiu naturalmente.

Obrigado Homem do Leme…

Posted by mariogaliano on November 27, 2017

CANON EOS-1V, O ÚLTIMO SAMURAI…

A Canon EOS 1V, camara analógica de 35mm, foi implementada no mercado da fotografia em 2000 e teve o seu reinado até 2005. Este aparecimento foi um pouco tardio pois coincidiu com o nascer da fotografia digital que se tornaria o padrão dos nossos dias. Esta câmara é o culminar de experiência da construção e de exigência por parte dos fotógrafos profissionais. Foi construída para fotógrafos profissionais e ao fotografar com a 1V percebemos logo todo o seu potencial. O seu corpo de liga de magnésio e comandos selados conferem a este modelo uma robustez que a linha EOS série 1 tem vindo a oferecer. A medição de 21 zonas, o foco automático de 45 pontos incrivelmente rápido, a capacidade de disparar 10 fotogramas por segundo a 1/8000seg e com o obturador testado para 150.000 ciclos, colocaram esta camara no topo da escolha de fotógrafos dedicados ao desporto, reportagem, natureza e aventura.

Pessoalmente, após ter passado anos a fotografar com a 1V e de ter feito a transição para o mundo digital, recordo a sua precisão, rapidez e ergonomia. Apesar do seu peso, 1380g com o grip PB-E2, torna-se extremamente confortável e intuitiva de usar mas, a característica que nunca esqueço é o seu som e cadência de disparo. Quem fotografou ou ainda fotografa com esta câmara sabe muito bem do que me refiro, é um pequeno pormenor de uma câmara soberba que representa o auge da fotografia analógica e que através do seu disparo transmite ao fotógrafo esse legado de gerações de câmaras profissionais. Pelo seu legado, precisão, fiabilidade e lugar na história da fotografia analógica, este modelo da Canon é sem dúvida o último Samurai…

Posted by mariogaliano on September 6, 2017

FUJIFILM X-E2

Esta pequena câmara de visor electrónico, sem espelho e com um sensor de 16.3 megapixels passa despercebida mas, para os verdadeiros conhecedores eleva-se a um patamar profissional.

Com funções e menus semelhantes às topo de gama a X-E2 é intuitiva, precisa no foco automático e com a qualidade de imagem a que estamos habituados nas câmaras da Fujifilm. Este modelo é um upgrade da X-E1 que para os profissionais servia de segunda câmara para além da X-Pro1.

Rapidamente foi apelidada de “X-Pro1 sem visor “ (analógico) devido à semelhança de funcionamento e à mesma resolução em termos de imagem. Fotografar com a X-E2 requer hábito e como todas as câmaras digitais há necessidade de realizar algumas configurações. Estas configurações são todas pessoais tais como a escolha de simulação do filme a usar, modos de exposição, valores de ISO entre outras mas, a que recomendo é a função opcional de fotografar só através do Visor Electrónico e desligar o Monitor LCD. Devido à reduzida dimensão do ocular onde se encontra o sensor do visor que alterna a visualização entre o Monitor LCD e o Visor Electrónico, esta função no modo automático tende a ser lenta e por vezes não acertiva em condições de entradas de luz laterais ou para quem necessite de usar óculos para fotografar.

Uma vez configurada, a X-E2 é uma câmara discreta e com resultados surpreendentes. Devido à sua dimensão fotografei sempre com objectivas que não ultrapassassem os 90mm. Com o Hand Grip HG-XE1 melhoramos a ergonomia da X-E2 e à medida que vamos fotografando deparamo-nos com uma câmara que se apresentou de forma leve e despretensiosa, mas que aos poucos vai assumindo a liderança e tomando o lugar de câmara principal.

Este modelo, associado às objectivas fixas da Fujifilm ou Leica com o adaptador dedicado, revela todo o seu potencial com extrema qualidade nas imagens que produz. Normalmente, fotografo sempre em modo manual e com o foco em automático em single. Quando utilizo objectivas Leica uso partido do auxiliar de foco manual que permite aumentar a imagem e obter maior precisão na focagem.

Fotografar retratos, ambientes de rua ou espectáculos está no ADN desta câmara que se adapta à luz de dia bem como às luzes artificiais, devido ao rigoroso sistema de balanço de brancos. A Fujifilm é mundialmente conhecida pela fiabilidade do balanço de brancos em modo automático e são muito poucos os casos em que é necessário um ajuste manual. Este factor, aliado à escolha de simulação de filme, à sua construção, autonomia de bateria e qualidade impar de imagem confere à X-E2 o estatuto merecido que veio a conquistar entre os profissionais.

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