FUJIFILM X-T2 E O ESPIRITO DE LE MANS

Em 2016, a convite da Fujifilm Portugal, fui um dos fotógrafos a nível mundial a ser convidado para participar no teste e desenvolvimento da X-T2.
Recebi um modelo X-T2 de pré-produção e fui testando a câmara à medida que me iam enviando os upgrades de software directamente do Japão. De teste em teste formulava o meu relatório e fui-me apercebendo que a Fujifilm tinha produzido uma câmara mirorless que iria igualar e, em certos casos, estar num patamar acima das câmaras DSLR.
Com uma construção robusta de liga de magnésio, resistente ao mau tempo e com um sensor de 24MP X-Trans CMOS III a X-T2 tem uma ergonomia perfeita e produz imagens de qualidade extrema. Após o último upgrade do software vi todo o potencial deste modelo e estava na hora da marca apresentar a sua última câmara ao mundo.
A apresentação decorreu em Paris com convidados e embaixadores Fujifilm de todo mundo e, no dia seguinte rumámos a Le Mans para fotografar com a X-T2.  Apanhámos o TGV (sim, esse meio de transporte fantástico que poderíamos ter mas que ninguém quis…) e num instante chegámos a Le Mans. No exterior da estação à nossa espera, para nos transportar para o circuito, estavam autocarros dos anos 40/50. Íamos para a prova de Le Mans Clássicos e o espírito desta prova mítica estava logo presente à chegada. Entrámos nos autocarros e fomos escoltados por jipes que participaram na segunda guerra mundial, pertencentes ao Museu de Guerra da Normandia.Uma vez no circuito vislumbrei um mundo em que o moderno e o clássico conviviam em perfeita harmonia. O som dos potentes motores dos automóveis das décadas de 40 a 70, o seu design com linhas que se tornaram icónicas também estavam presentes nos modelos das mais recentes marcas do mundo do automobilismo de competição. Este paralelismo foi-me logo apresentado na câmara que tinha na mão, a X-T2.
Fotografar provas de automobilismo requer a sua técnica e após uma breve aula do fotógrafo oficial de Le Mans que só fotografa com Fujifilm, fui testar a X-T2 e a sua capacidade de captar imagens a uma velocidade extrema. Acoplada à X-T2 estava a Fujinon XF 100-400mm e o duplicador XF 1.4X TC WR com o parâmetro na câmara de focagem continua e de sequência rápida. Estava apreensivo pois a abertura da objectiva é de F4.5-5.6 e para ajudar o duplicador acrescenta um diafragma. Noutras marcas que já testei, estas mesmas condições são uma óptima receita para o desastre, daí nunca confiar no foco continuo.
Os primeiros disparos foram todos ao lado por “azelhice” da minha parte, os carros passavam e eu nem vê-los… A adaptação a uma câmara mirorless e de visor electrónico pode ser demorada e para certos fotógrafos um pouco penosa mas as vantagens são bastante superiores a um visor convencional, tais como o controlo imediato da exposição, ver sempre o nosso objecto a fotografar mesmo em condições de iluminação reduzida, entre outras…
Finalmente comecei a fotografar os incríveis automóveis de Le Mans a tentarem cortar a meta em primeiro lugar e a cadência de disparo e focagem rápida da X-T2 acompanhava a velocidade infligida pelos destemidos pilotos. A surpreendente qualidade das imagens em jpg aliada à simulação de filmes que a Fujifilm já nos habituou fazem deste modelo o candidato ao pódio das câmaras fotográficas mirorless dedicadas à fotografia.
Le Mans será sempre velocidade, audácia, inovação e querer ir mais longe num ambiente clássico.
Para mim, a Fujifilm X-T2 terá sempre o espirito de Le Mans…