Posted by mariogaliano on September 6, 2017

FUJIFILM X-E2

Esta pequena câmara de visor electrónico, sem espelho e com um sensor de 16.3 megapixels passa despercebida mas, para os verdadeiros conhecedores eleva-se a um patamar profissional.

Com funções e menus semelhantes às topo de gama a X-E2 é intuitiva, precisa no foco automático e com a qualidade de imagem a que estamos habituados nas câmaras da Fujifilm. Este modelo é um upgrade da X-E1 que para os profissionais servia de segunda câmara para além da X-Pro1.

Rapidamente foi apelidada de “X-Pro1 sem visor “ (analógico) devido à semelhança de funcionamento e à mesma resolução em termos de imagem. Fotografar com a X-E2 requer hábito e como todas as câmaras digitais há necessidade de realizar algumas configurações. Estas configurações são todas pessoais tais como a escolha de simulação do filme a usar, modos de exposição, valores de ISO entre outras mas, a que recomendo é a função opcional de fotografar só através do Visor Electrónico e desligar o Monitor LCD. Devido à reduzida dimensão do ocular onde se encontra o sensor do visor que alterna a visualização entre o Monitor LCD e o Visor Electrónico, esta função no modo automático tende a ser lenta e por vezes não acertiva em condições de entradas de luz laterais ou para quem necessite de usar óculos para fotografar.

Uma vez configurada, a X-E2 é uma câmara discreta e com resultados surpreendentes. Devido à sua dimensão fotografei sempre com objectivas que não ultrapassassem os 90mm. Com o Hand Grip HG-XE1 melhoramos a ergonomia da X-E2 e à medida que vamos fotografando deparamo-nos com uma câmara que se apresentou de forma leve e despretensiosa, mas que aos poucos vai assumindo a liderança e tomando o lugar de câmara principal.

Este modelo, associado às objectivas fixas da Fujifilm ou Leica com o adaptador dedicado, revela todo o seu potencial com extrema qualidade nas imagens que produz. Normalmente, fotografo sempre em modo manual e com o foco em automático em single. Quando utilizo objectivas Leica uso partido do auxiliar de foco manual que permite aumentar a imagem e obter maior precisão na focagem.

Fotografar retratos, ambientes de rua ou espectáculos está no ADN desta câmara que se adapta à luz de dia bem como às luzes artificiais, devido ao rigoroso sistema de balanço de brancos. A Fujifilm é mundialmente conhecida pela fiabilidade do balanço de brancos em modo automático e são muito poucos os casos em que é necessário um ajuste manual. Este factor, aliado à escolha de simulação de filme, à sua construção, autonomia de bateria e qualidade impar de imagem confere à X-E2 o estatuto merecido que veio a conquistar entre os profissionais.

Posted by mariogaliano on August 19, 2017

VIVIAN MAIER

No Dia Mundial da Fotografia partilho este filme escrito e realizado por John Maloof e Charlie Siskel sobre  Vivian Maier, a ama que tirava fotografias. Um bom Dia Mundial da Fotografia e continuem a fotografar!!!

Posted by mariogaliano on August 17, 2017

FUJIFILM X-T2 E O ESPIRITO DE LE MANS

Em 2016, a convite da Fujifilm Portugal, fui um dos fotógrafos a nível mundial a ser convidado para participar no teste e desenvolvimento da X-T2.
Recebi um modelo X-T2 de pré-produção e fui testando a câmara à medida que me iam enviando os upgrades de software directamente do Japão. De teste em teste formulava o meu relatório e fui-me apercebendo que a Fujifilm tinha produzido uma câmara mirorless que iria igualar e, em certos casos, estar num patamar acima das câmaras DSLR.
Com uma construção robusta de liga de magnésio, resistente ao mau tempo e com um sensor de 24MP X-Trans CMOS III a X-T2 tem uma ergonomia perfeita e produz imagens de qualidade extrema. Após o último upgrade do software vi todo o potencial deste modelo e estava na hora da marca apresentar a sua última câmara ao mundo.
A apresentação decorreu em Paris com convidados e embaixadores Fujifilm de todo mundo e, no dia seguinte rumámos a Le Mans para fotografar com a X-T2.  Apanhámos o TGV (sim, esse meio de transporte fantástico que poderíamos ter mas que ninguém quis…) e num instante chegámos a Le Mans. No exterior da estação à nossa espera, para nos transportar para o circuito, estavam autocarros dos anos 40/50. Íamos para a prova de Le Mans Clássicos e o espírito desta prova mítica estava logo presente à chegada. Entrámos nos autocarros e fomos escoltados por jipes que participaram na segunda guerra mundial, pertencentes ao Museu de Guerra da Normandia.Uma vez no circuito vislumbrei um mundo em que o moderno e o clássico conviviam em perfeita harmonia. O som dos potentes motores dos automóveis das décadas de 40 a 70, o seu design com linhas que se tornaram icónicas também estavam presentes nos modelos das mais recentes marcas do mundo do automobilismo de competição. Este paralelismo foi-me logo apresentado na câmara que tinha na mão, a X-T2.
Fotografar provas de automobilismo requer a sua técnica e após uma breve aula do fotógrafo oficial de Le Mans que só fotografa com Fujifilm, fui testar a X-T2 e a sua capacidade de captar imagens a uma velocidade extrema. Acoplada à X-T2 estava a Fujinon XF 100-400mm e o duplicador XF 1.4X TC WR com o parâmetro na câmara de focagem continua e de sequência rápida. Estava apreensivo pois a abertura da objectiva é de F4.5-5.6 e para ajudar o duplicador acrescenta um diafragma. Noutras marcas que já testei, estas mesmas condições são uma óptima receita para o desastre, daí nunca confiar no foco continuo.
Os primeiros disparos foram todos ao lado por “azelhice” da minha parte, os carros passavam e eu nem vê-los… A adaptação a uma câmara mirorless e de visor electrónico pode ser demorada e para certos fotógrafos um pouco penosa mas as vantagens são bastante superiores a um visor convencional, tais como o controlo imediato da exposição, ver sempre o nosso objecto a fotografar mesmo em condições de iluminação reduzida, entre outras…
Finalmente comecei a fotografar os incríveis automóveis de Le Mans a tentarem cortar a meta em primeiro lugar e a cadência de disparo e focagem rápida da X-T2 acompanhava a velocidade infligida pelos destemidos pilotos. A surpreendente qualidade das imagens em jpg aliada à simulação de filmes que a Fujifilm já nos habituou fazem deste modelo o candidato ao pódio das câmaras fotográficas mirorless dedicadas à fotografia.
Le Mans será sempre velocidade, audácia, inovação e querer ir mais longe num ambiente clássico.
Para mim, a Fujifilm X-T2 terá sempre o espirito de Le Mans…
Posted by mariogaliano on August 10, 2017

PRIMEIRA CÂMARA DE MÉDIO FORMATO

Após ter iniciado a minha carreira de fotógrafo, tive a hipótese de adquirir uma câmara de médio formato. Ainda muito apegado ao 35mm e a fotografar pessoas tinha de tomar uma decisão quanto à escolha da primeira câmara de médio formato. Nunca gostei de câmaras demasiado grandes pois implicam volume e peso. Escolhi a Rolleiflex TLR com a objectiva Carl Zeiss Tessar de 75mm e com a abertura a 3.5. Foi um começar tímido, mas gradualmente fui adquirindo experiência e confiança em fotografar no formato 6×6.

Passar do 35mm para 6×6 é um salto abismal em termos de qualidade, definição e técnica de fotografar. Exige um olhar, concentração e respirar diferente. Todos os filmes que usava no 35mm, no médio formato, ganham outra profundidade e conseguimos ver todas as suas características e detalhes. Marcas como Agfa, Kodak, Ilford, Fujifilm, entre outras, desenvolveram filmes com qualidade extrema que, expostos e revelados correctamente davam imagens com uma leve sensação de tridimensionalidade.

Mais tarde, todas as câmaras de médio formato que fui adquirindo correspondiam ao mesmo critério de portabilidade e extrema qualidade. Além da Rolleiflex, a Mamiya e a Fujifilm foram para mim as marcas de eleição. Rolleiflex T3.5, Mamiya 645, Mamiya 6 e Fujifilm GA645Pro foram-me acompanhando nos gloriosos dias da fotografia analógica.

Irei partilhar convosco a experiência de fotografar com estas câmaras e as fotografias resultantes de sessões fotográficas realizadas com estes modelos. Como é obvio, tenho grande afeição às Rolleiflex pois foi como tudo começou, e além disso há uma certa magia nas imagens captadas pela objectiva Tessar 3.5. O enquadramento 6×6 requer habito e não há meio termo, ou é amor ou é ódio. Tive o azar de me adaptar logo a este formato e digo que é azar pois é viciante. Enquadrar com a Rolleiflex TLR não é fácil porque estamos a ver a imagem invertida no plano horizontal mas, “pegando-lhe o jeito” é uma câmara leve, de construção robusta e com obturador preciso que nos transporta para a alta relojoaria.

Ficam aqui algumas imagens da sessão fotográfica com a Rolleiflex T3.5 realizada para o stylist Nuno Tiago em 1994. Esta sessão decorreu num edifício degradado na Rua Poço dos Negros em Lisboa. O final de tarde e a escolha do filme Kodak Ektachrome 100 conferiu um tom quente às imagens. Olhando agora para estas imagens vejo o começo do enquadramento e da estética que fui desenvolvendo ao longo destes anos. Como diria o anúncio: “para mais tarde recordar!…”

Posted by mariogaliano on August 8, 2017

MASTER OF CAMERA

Um registo de David Drills sobre Gian Carminati, cuja carreira dedicou a dar vida a câmaras fotográficas analógicas.

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